Relação Dose-Resposta de Flumioxazina, S-metolacloro e da Mistura Apresa® em Espécies Olerícolas: Implicações para Germinação e Desenvolvimento Radicular
DOI:
https://doi.org/10.17921/1415-6938.2025v29n4p995-1003Resumo
O objetivo deste estudo foi avaliar a fitotoxicidade da flumioxazina, do S-metolacloro e de sua formulação combinada em diferentes concentrações, utilizando as culturas de alface (Lactuca sativa), cebola (Allium cepa) e pepino (Cucumis sativus). Para isso teste de germinação e crescimento da raiz foram realizados com sementes destas espécies expostas a concentração utilizada em campo (d.c), diluições desta dose à 1%, 3%, 12,5%, 25% e 50% d.c; e também a concentração elevada de 3x d.c. O uso de diferentes doses dos herbicidas permite identificar a relação dose-resposta, determinando os limites seguros para as culturas e os potenciais efeitos tóxicos. A formulação Apresa® demonstrou maior toxicidade em relação aos herbicidas isolados, especialmente para alface, com redução significativa da germinação na dose de campo (p < 0,01) e 3x d.c (p < 0,001). O pepino mostrou maior tolerância, exceto na concentração de 3x d.c. de S-metolacloro. Assim, nossos resultados indicam que a resposta fitotóxica aos herbicidas varia de acordo com a cultura e a formulação utilizada, sendo a alface mais sensível ao S-metolacloro e o pepino e a cebola mais afetados pela combinação dos compostos. Considerando a importância econômica e nutricional dessas hortaliças, bem como a ampla adoção do plantio direto e o uso crescente de misturas de herbicidas no manejo de plantas daninhas, destaca-se a necessidade de um monitoramento criterioso dos efeitos residuais, sendo fundamentais para orientar práticas agrícolas mais seguras.
Palavras-chave: Fitotoxicidade. Herbicidas Residuais. Olericultura.
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