ALTERAÇÕES CLÍNICAS, COMPORTAMENTAIS E LABORATORIAIS EM CÃES COM SOBREPESO E OBESIDADE
DOI:
https://doi.org/10.17921/1415-6938.2026v30n1p02-12Resumo
A obesidade canina configura-se como uma condição prevalente na medicina veterinária, associada a comorbidades como diabetes mellitus, osteoartrite e doenças cardiovasculares, com impacto direto na saúde e qualidade de vida. Este estudo transversal objetivou analisar complicações do excesso de peso em cães, correlacionando-o a padrões alimentares, atividade física, interação tutor-animal, e avaliar sua associação com parâmetros clínicos, laboratoriais e cardiológicos. Foram incluídos 25 cães com sobrepeso (idade entre 1 e 12 anos; 88% castrados). A metodologia abrangeu avaliação clínica, exames laboratoriais (perfil lipídico e bioquímico), eletrocardiograma, mensuração da pressão arterial sistólica e aplicação de questionário estruturado aos tutores. Os resultados evidenciaram predominância de escore corporal 7-8 (escala de nove pontos), aumento de apetite (68%) e ausência de controle alimentar pelos tutores (48%). A castração apresentou correlação positiva com ganho de peso pós-procedimento. Apesar de 55% dos cães praticarem exercícios, 84% exibiram intolerância à atividade física, mais prevalente em indivíduos com maior escore corporal. Observou-se incremento gradativo da pressão arterial sistólica conforme à elevação do escore corporal. Alterações eletrocardiográficas (52%) e hipertrigliceridemia (64%) emergiram como achados relevantes. Conclui-se que fatores como castração, dieta inadequada e sedentarismo contribuem para a obesidade canina, com repercussões metabólicas e cardiovasculares significativas. Estratégias multidisciplinares, incluindo educação nutricional, controle alimentar rigoroso e exercícios adaptados à tolerância individual, são fundamentais para mitigar riscos e promover o bem-estar animal.
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