Desempenho de quizalofop-p-etíl sobre o capim pé-de-galinha, em pós-emergência da soja, na região do Matopiba, Brasil
Resumo
O manejo de capim-pé-de-galinha (Eleusine indica) é uma relevante lacuna de produtividade da soja, notadamente na região do Matopiba, onde são escassos estudos que abordam alternativas substitutivas ao uso de glifosato, como o quizalofop-p-etil. Desse modo, objetivou-se avaliar o controle e seletividade de doses crescentes de quizalofop-p-etil, isolado e combinado com glifosato, sobre o capim pé-de-galinha, em pós-emergência da soja. O estudo foi realizado em Mata Roma, Maranhão, Brasil, entre os meses de janeiro e abril de 2024, em delineamento de blocos casualizados, arranjo fatorial 5x2 e quatro repetições. O primeiro fator consistiu em doses de quizalofop-p-etil: 0, 25, 50, 75 e 100 g i.a. ha-1; ao passo que o segundo, abrangeu a ausência e presença de glifosato (864 g e. a. ha-1). A pulverização foi realizada no estádio V5 da soja, três semanas após a semeadura. Avaliaram-se, o controle de capim pé-de-galinha, bem como, a população, altura, índice de clorofila total, índice de vegetação (NDVI) e produtividade da soja. Os resultados desta pesquisa corroboram a hipótese da existência de populações de capim pé-de-galinha tolerantes ao glifosato (herbicida inibidor da EPSPs), com perdas estimadas em até 48% da produtividade da soja. O uso do herbicida quizalofop-p-etíl demonstrou uma alta seletividade à cultura da soja, sem causar sintomas de fitotoxicidade, em diferentes dosagens e combinações. Dessa forma, recomenda-se o uso de 50 a 75 g i.a. ha⁻¹ de quizalofop-p-etíl, isolado ou combinado com glifosato (864 g e.a. ha-1), como uma opção segura para o controle químico pós-emergente de capim pé-de-galinha.
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