Interação Genótipo X Ambiente que Afeta a Qualidade Físico-Química de Clones de Coffea canephora Cultivados na Amazônia Ocidental
DOI:
https://doi.org/10.17921/1415-6938.2025v29n4p1004-1022Resumo
Coffea canephora é uma espécie de cultivo de café de importância econômica e social na Amazônia Ocidental, servindo como fonte de renda para agricultores familiares e se beneficiando da proximidade com ecossistemas florestais e seus polinizadores naturais. Este estudo avaliou a composição físico-química de grãos verdes dos clones predominantes de C. canephora cultivados na região. Umidade, extrato aquoso, cinzas totais, pH, acidez total titulável, teor de proteína bruta, teor de lipídios, compostos fenólicos totais e açúcares solúveis totais foram avaliados em dois ambientes contrastantes. A interação genótipo × ambiente influenciou significativamente todas as características avaliadas, sendo que os compostos fenólicos totais apresentaram a maior variação (3,50–5,61 g equivalentes de ácido gálico 100 g−1), alcançando concentrações até 50% maiores no ambiente de menor altitude (Porto Velho, RO; 88 m) do que em São Felipe d’Oeste, RO (276 m). As correlações entre extrato aquoso e açúcares solúveis totais, e entre compostos fenólicos totais e açúcares redutores, foram significativas em ambos os ambientes, indicando ausência de efeitos ambientais nessas associações. O clone LB80 apresentou a maior estabilidade na composição físico-química entre os ambientes, enquanto os clones AR106, LB15 e N16 demonstraram menor estabilidade. Os clones avaliados apresentaram considerável diversidade genética, especialmente o clone AS1, que exibiu os maiores teores de proteína bruta e açúcares solúveis totais. Os resultados indicam a importância de selecionar genótipos adaptados a condições específicas de solo e clima para otimizar a qualidade dos grãos e aumentar a competitividade de mercado do C. canephora produzido na Amazônia Ocidental.
Palavras-chave: Robusta Amazônico. Composição de Grãos Verdes. Compostos Fenólicos. Estabilidade.
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